PROPRIEDADES E CARACTERÍSTICAS DO SOLO:

Os estudos feitos em anos anteriores nas disciplinas da área da Biologia permitiram concluir o seguinte:

  • toda a actividade de um ecossistema está dependente da energia proveniente do sol;
  • as substâncias orgânicas, sintetizadas pelas plantas, contêm energia potencial que é, em parte, transferida para outros seres que delas se alimentam;
  • as plantas ocupam o primeiro nível trófico de uma cadeia alimentar – são os produtores – delas dependendo todos os outros níveis.

Mas os vegetais terrestres, para sobreviver, dependem por sua vez do solo, que é o meio sobre o qual se desenvolvem. Embora o solo constitua uma camada de espessura insignificante face à espessura da crosta terrestre, a sua importância é enorme e decisiva para os seres que nela vivem.

Pode definir-se solo como uma formação móvel situada na superfície da crosta terrestre, na qual se desenvolvem as plantas.

O solo tem, em relação à planta, um duplo papel:

  • serve-lhe de suporte(é o seu abstracto), devendo apresentar um estrutura física conveniente, que permita a penetração das raízes, a circulação do ar e a das soluções nutritivas;
  • fornece-lhe as substâncias químicas necessárias à sua alimentação.
  • Constituição do solo

Um solo é sempre constituído por matéria mineral (areia, calcário, limo, argila), matéria orgânica (húmus, restos de plantas e animais), ar e água.

A fracção sólida do solo ocupa cerca de metade do seu volume total e é constituída por matéria mineral e matéria orgânica (fig.1).

Figura 1

Matéria Mineral

A areia é um dos componentes minerais do solo. A sua existência, em maior proporção, facilita os trabalhos de mobilização do solo, a penetração de raízes e o arejamento. Não retém em geral, os nutrientes nem a água.

A argila retém facilmente os nutrientes e a água e , quando em excesso, dificulta o arejamento, a circulação da água, a mobilização do solo e também a penetração das raízes.

O calcário não está presente em todos os solos.

Matéria Orgânica

Esta matéria é constituída por restos de plantas e de animais, parcial ou totalmente decompostos, e também por seres vivos.

A quantidade de matéria orgânica existente no solo é muito variável e evolui ao longo do tempo.

A matéria orgânica acumula-se principalmente à superfície do solo e desempenha um papel múltiplo:

  • torna mais fáceis de trabalhar os solos pesados, facilitando a penetração das raízes;
  • contém e armazena nutrientes fundamentais, como o azoto e o enxofre e também micronutrientes, que cede às plantas à medida que se vai mineralizando;
  • ajuda o solo a reter a água, facilitando a circulação nos solos argilosos e aumentando a capacidade de retenção nos arenosos.

Dá-se o nome de húmus à parte da matéria orgânica que sofreu intensa decomposição e atingiu um certo grau de estabilidade.

O húmus “protege” a argila, estabilizando a estrutura do solo, e a argila favorece a humidificação, “protegendo” o húmus contra o ataque microbiano.

A produtividade de um solo depende de diversos factores, entre os quais o seu teor de matéria orgânica.

Ar e Água

O ar e a água ocupam os espaços (poros) existentes entre as partículas que constituem o solo. A dimensão dos poros influi na retenção da água pelo solo – os poros mais finos facilitam a retenção, enquanto os maiores permitem a sua rápida infiltração. O ar preenche os espaços não ocupados pela água. O arejamento do solo é fundamental para a respiração das raízes e, por isto, os solos pouco arejados são, em geral, pouco produtivos.

Um solo sujeito a encharcamento é, consequentemente, um solo pouco arejado, constituindo portanto, um meio redutor. Os sais de ferro permanecem aí no estado terroso.

Num solo bem arejado, pelo contrário, há oxidações e o oxigénio presente facilita a formação de compostos férricos. Se esta oxidação é acompanhada por uma hidratação, a hematite (Fe2O3), que é vermelha, dá lugar à limonite (2Fe2O33H2O), cuja cor é um amarelo-acastanhado.

Daqui resulta que os solos vermelhos são abundantes nas zonas mediterrâneas, de clima seco, enquanto os solos castanhos são mais frequentes nas regiões temperadas, com pluviosidade elevada.

Origem do Solo

É frequente afirmar que o solo é o resultado de um processo complexo em que intervêm diferentes factores: a rocha-mãe, o clima, o tempo, os seres vivos e a topografia.

Factores Mecânicos São as variações de temperatura. A água tem também uma importante acção mecânica.

Acções Químicas O ar e a água. A água provoca inúmeras reacções de hidrólise que afectam os minerais das rochas como, por exemplo, os feldspatos(alumino-sílicato de Na, K, Ca), minerais essenciais das rochas endógenas. Em Portugal, por exemplo, os feldspatos são geralmente transformados em argila do tipo caulinite. É desse modo que o granito dá origem a uma areia granítica, constituída essencialmente por quartzo e argila.

Factores Biológicos Os factores biológicos intervenientes são os seres vivos, particularmente as plantas, que participam activamente na desagregação e alteração das rochas: as raízes penetram nas fendas da rocha e segregam substâncias que atacam os seus constituintes; o húmus, pela sua reacção mais ou menos ácida(ácidos húmicos), intervém eficazmente na desagregação das rochas; os microrganismos, como fungos e bactérias, assegurando a decomposição e mineralização do húmus, desempenham, de igual modo, um importantíssimo papel.

Evolução do Solo

Quando efectuamos um corte vertical no solo (perfil do solo), podemos observar, com frequência, uma sucessão de camadas horizontais ou horizontes, com constituição e aspectos diferentes. Cada nível possui composição química, textura e estrutura próprias (fig.2).

Figura 2

A formação de horizontes está relacionada com a evolução do solo. Esta é caracterizada essencialmente por migrações de substâncias que dependem dos movimentos da água, nos sentidos ascendente e descendente. Estes movimentos são responsáveis pela mobilização dos elementos solúveis e coloidais. Os deslocamentos da água para baixo provocam a lixiviação e são frequentes nas zonas de clima com forte pluviosidade. Os deslocamentos ascendentes são dominantes nos climas onde predomina a evaporação.

A intensidade das migrações depende de numerosos factores, entre os quis a pluviosidade, o teor do solo em cálcio e a natureza do húmus formado.

Se fizermos uma representação do perfil numa zona de lixiviação intensa, este é o tipo ABC (fig.3).

Se estivermos em presença do perfil de um solo numa zona de clima quente e seco, consequentemente com intensa evaporação, o perfil é do tipo BAC (fig.4).

Figura 3 Figura 4

O horizonte de acumulação está, em geral, situado acima do horizonte de lixiviação porque as águas profundas sobem, por capilaridade, e acabam por evaporar-se á superfície, abandonando as substâncias dissolvidas.

Podemos considerar, em termos de evolução, dois grandes tipos de solo:

  • solos jovens ou pouco evoluídos, pouco profundos, não diferindo muito da rocha-mãe de que provêm e constituídos, geralmente, por um só horizonte, acima da rocha-mãe;
  • solos maduros, evoluídos, geralmente mais profundos, cujo perfil nos apresenta vários horizontes.

Propriedades do Solo

Textura

Entende-se por textura do solo a proporção relativa de partículas minerais de dimensão compreendida entre certos limites existentes num horizonte.

As diferentes classes de texturas são definidas a partir de diversas crivagens, começando pela passagem através de um crivo de 2mm, que separa os elementos grosseiros da camada fina.

A escala mais usada é a que se mostra no quadro abaixo:

LOTES DIÂMETRO DAS PARTÌCULAS em Milímetros
Cascalho >2
Areia grossa 2 -0,2
Areia fina 0,2 – 0,02
Limo 0,02 – 0,002
Argila <>

A textura do solo depende de vários factores, sendo os mais importantes a rocha-mãe, a topografia e o clima.

O estudo das propriedades do solo faz-se a partir de amostras de terra fina. No entanto, é de assinalar que a fracção grosseira desempenha, por vezes, um papel importante na protecção contra a erosão.

Densidade Aparente do Solo

Define-se densidade aparente do solo como a razão entre a massa da parte sólida de um dado volume aparente do solo (volume ocupado pelas partículas + volume ocupado pelos poros) e a massa de igual volume de água.

A densidade aparente depende, como é óbvio, da porosidade. Varia também com a textura e o teor do solo em matéria orgânica.

A porosidade é a razão entre o volume ocupado pelos poros e o volume aparente do solo. Exprime-se em percentagem e varia de solo para solo. Varia também, em cada solo, com o estado do seu complexo argilo-húmido.

O quadro seguinte mostra a relação entre a densidade aparente de um solo e a porosidade:

DENSIDADE APARENTE POROSIDADE
1 a 1,2 55 a 62%
1,2 a 1,4 46 a 54%
1,4 a 1,6 40 a 46%
1,6 a 1,8 40%

O cálculo da densidade aparente implica, geralmente, a secagem prévia da amostra do solo recolhida por meio de sondas.

Humidade do Solo

Como já foi afirmado, a água é um factor determinante na génese do solo, sendo indispensável à vida das plantas.

Em geral, o teor de água no solo exprime-se através da percentagem de água em relação ao peso do solo, que foi seco a 105ºC.

É importante, no entanto, notar que a quantidade de água existente no solo só tem significado quando considerada em conjunto com a força com que a água se encontra retida no solo. Este facto facilita ou não a sua absorção pelas plantas (figs.5, 6 e 7).

Figura 5 – Esta água contida nos macro poros escoa-se por acção da gravidade

Figura 6 – Esta água está retida em volta de partículas terrosas ou nos espaços capilares e é facilmente absorvida pelas raízes

Figura 7 – Esta água está fortemente retida em volta de partículas terrosas e não é absorvida pelas plantas

A água existente no solo abrange:

  • água higroscopia – é fixada na superfície dos coloides, por absorção;
  • água capilar – é sujeita a fenómenos de capilaridade no solo e desloca-se nos espaços intersticiais;
  • água gravitacional – não é retida no solo, deslocando-se apenas nos macroporos, por acção da gravidade.

pH do Solo

O pH do solo pode determinar-se em água, colorimetricamente ou potenciometricamente, agitando-se, para isso, uma porção de solo em água.

O resultado obtido depende da técnica usada no ensaio, não podendo, portanto, supor-se que o valor medido corresponde exactamente á concentração hidrogeniónica que os organismos vão encontrar no solo.

Refira-se também que, no caso do solo, o pH não constitui um valor constante e característico, sofrendo inúmeras variações relacionadas, por exemplo, com o teor da água do solo.

O pH da maioria dois solos situa-se entre 4 e 8,5.

O pH inferior a 4,5 +prejudica a nutrição e o desenvolvimento das plantas pelas seguinte razões:

  • excesso de AI, Fe e Mn solúveis;
  • fraca assimilabilidade do P;
  • muito fraca assimilabilidade de S, Mo, Cu, Zn;
  • condições desfavoráveis a certas actividades biológicas, tais como: decomposição da matéria orgânica, humidificação, nitrificação e fixação simbiótica do azoto atmosférico.

Há, no entanto plantas que preferem solos muito ácidos, como a hortênsia e o chá. Desconhece-se se trata de acidofilia ou de exigências de alumínio.

O valor do pH do solo é mais elevado, por exemplo, nos solos de origem granítica, que são ácidos.

Gama de PH dos solos
pH Designação dos solos Utilização possível dos solos
pH comum nos solos das regiões áridas5-7———-pH comum nos solos das regiões húmidas 7-9 De 3 a 4,5 Solo extremamente acido Charnecas e florestas de espécie acidófilas
De 4,5 a 5 Solos fortemente ácidos Charnecas e prados
De 5 a 5,5 Solos muitos ácidos Prados e culturas de espécies acidófilas
De 5,5 a 6 Solos ácidos Prados
De 6 a 6,75 Solos fracamente ácidos Todas as culturas excepto as leguminosas calcífugas
De 6,75 a 8,5 Solos neutros Todas as culturas
De 3 a 4,5 Solos alcalinos Todas as culturas exceptocalcífugas
A cima 8,5 Solos muito alcalinos Difíceis as culturas europeias usuais

Figura 8 -Classificação dos solos quanto ao pH

Macronutrientes

Nitrogénio -N

Fósforo – P

Potássio – K

Cálcio – Ca

Magnésio – Mg

Enxôfre – S

Micronutrientes

Boro – B

Cobre – Cu

Ferro – Fe

Manganês – Mn

Molibdénio – Mo

Zinco – Zn

 

Fonte: http://campus.fortunecity.com/