A Floresta Portuguesa

A FLORESTA PORTUGUESA

A Floresta nativa portuguesa é  marcadamente mediterrânica, com regiões mais influenciadas pelo clima atlântico, e sustentada na família dos Quercus, ie, do Carvalho ao Sobreiro, passando pela Azinheira, apesar de alguns micro-climas que favorecem espécies alpinas como o Vidoeiro, ou mesmo a Floresta ribeirinha sustentada no Freixo e Ulmeiro. Falamos claro de uma selecção de entre diversas espécies de árvores e arbustos que integram os diversos ecossistemas gerados naturalmente pela geografia e clima.

Estas espécies surgem sempre como o climax de uma vegetação biodiversa autóctone, a qual é naturalmente mais indicada como coberto vegetal pois consiste em espécies já adaptadas ao clima e geografia locais, gerando o equilíbrio natural de fauna e flora que mantém o balanço do equilíbrio ambiental. Para além deste valor intrínseco a floresta é relevante não só do ponto de vista ambiental e ecológico mas também do ponto de vista social e económico.

Dos mais variados aspectos positivos de uma floresta nativa podemos destacar a fixação do carbono atmosférico e amenização do clima, rentenção e conservação de água nos solos e fornecimento de caudais, preservação da fauna e flora associadas e da própria paisagem, fora as naturais colheitas lenhosas e não lenhosas que uma floresta pode gerar, da madeira para carpintaria, lenha ou cortiça até cogumelos, ervas aromáticas, mel, pastoreio e mesmo caça.

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Assim, podemos definir 4 grandes climas e cobertos vegetais em Portugal:

1. Carvalhal de zona temperada húmida – norte litoral, marcadamente atlântico

Árvores – Carvalho-roble, Carvalho-negral, Sobreiro, Azereiro, Medronheiro, Aderno, Azevinho e Pinheiro-manso.

Arbustos – Aveleira, Abrunheiro-bravo, Pilriteiro, Giesteira, Folhado, Teixo, Roseira, Roseira-brava.

2. Carvalhal de zona continental – parte de centro e norte interior

Árvores – Carvalho-negral, Carvalho-roble, Sobreiro, Azinheira, Pinheiro-manso, Medronheiro, Vidoeiro, Cerejeira-brava, Azevinho

Arbustos – Pilriteiro, Abrunheiro-bravo, Teixo, Giesteira-branca, Amieiro-negro, Arando, Zimbro, Roseira-brava

3. Carvalhal de zona húmida quente – centro e sul litoral

Árvores – Sobreiro. Carvalho-negral, Carvalho-cerquinho, Zambujeiro, Carrasco, Azinheira, Aderno, Medronheiro, Loureiro, Alfarrobeira, Pinheiro-manso

Arbustos – Pilriteiro, Abrunheiro-bravo, Gilbardeira, Aroeira, Murta, Urze-branca, Urze-das-vassouras, Lentisco-bastardo, Folhado, Roseira-brava, Madressilva-caprina

4. Carvalhal da zona continental seca e quente

Árvores – Azinheira, Sobreito, Carvalho-cerquinho, Carvalho-negral, Zambujeiro, Catapereiro, Medronheiro, Zêlha, Pinheiro-manso, Carrasco

Arbustos – Gilbardeira, Estrepes, Giesteira-branca, Piorno-amarelo, Cornalheira, Lentisco, Jasmineiro-do-monte, Madressilva-caprina, Loendro, Sanguinho-das-sebes

(Nota: esta é apenas uma indicação geral das principais espécies que compõem cada região em termos de flora nativa.)

A estes quatro grandes grupos teremos sempre de adicionar a zona alpina – Serra da Estrela, Serra do Gerês e a mata ribeirinha ou vegetação ripícola.

Zona Alpina:

Árvores – Vidoeiro, Tramazeira, Carvalho-negral, Pinheiro-silvestre

Arbustos – Zimbro-anão, Urzes, Teixo, Arando, Caldoneira, Amelanqueiro

Mata Ribeirinha:

Árvores – Choupo-negro, Choupos-híbridos, Choupo-branco, Salgueiro-branco, Salgueiro-frágil, Salgueiro, Ulmeiro, Carvalho-roble, Amieiro, Freixo, Borrazeira

Arbustos – Vimeiro, Sabugueiro, Tamujo, Tamargueira, Roseira-brava, Sanguinho-das-sebes, Borrazeira-negra

Infelizmente hoje encontramos poucos exemplos de vegetação nativa intacta em Portugal, dos quais se destacam a Serra da Arrábida, a Mata da Margaraça e a Serra do Gerês, enquanto exemplos menos alterados pelo Homem. Apesar dos crescentes esforços de recuperação de vegetação nativa, através de maior protecção e acções de replantação, tanto a catástrofe dos incêndios florestais como a crescente área de eucaliptal representam um enorme perigo para o património natural das gerações vindouras.

Ao mesmo tempo, já há muitos séculos que o Homem manipula o seu património natural pelo que hoje apenas podemos imaginar como seria a paisagem originalmente. Portugal, apesar de apresentar hoje uma grande área de coberto florestal, aproximadamente 3,5 milhões de hectares, esta revela-se ser em boa parte plantações de Pinheiro-bravo ou Eucalipto. Se o Eucalipto representa um enorme prejuízo ambiental pela eliminação da flora nativa como pela degradação do solo e dos caudais de água, ja a monocultura de pinheiros também não promove a biodiversidade. Neste caso é necessário, tal como na agricultura em geral, introduzir os princípios da consociação de espécies e produção de colheitas associadas – o que no caso da silvicutura é muito interessante pois permite não só a plantação de espécies diferentes de árvores e arbustos produtivos em compassos próprios, complementados com produção de mel, cogumelos e ervas aromáticas, como também num sistema agro-florestal permite o pastoreio intervalado com floresta.

Nos tempos mais antigos foram destas florestas originais que retirámos parte da nossa cultura de hoje, da Cortiça à carpintaria em Castanheiro, à aprendizagem empírica das plantas e suas propriedades medicinais e terapêuticas, do Azeite ao Mel, da gastronomia regional à própria identidade cultural local. Hoje grande parte desta aprendizagem colectiva parece estar suspensa e os conhecimentos populares saem lentamente do dia-a-dia para as prateleiras de bibliotecas, quando salvos a tempo.

Compete a cada um de nós procurar preservar e estimular a fauna e flora nativa, alterando comportamentos e procurando sensibilizar as comunidades locais para as vantagens da preservação do património natural. Conhecer a nossa floresta é um passo importante na identificação das espécies nativas, suas características e vantagens, e respeitar este património enquanto identidade nacional e sustentabilidade do país e suas tradições.

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